O que não pode faltar no currículo de um designer?

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Como não possuo funcionários, minha experiência em contratação está diretamente ligada aos parceiros que convido para projetos específicos. Então, apesar de ter uma opinião sobre o assunto, que deixarei para o final deste artigo, consultei três profissionais com experiências diferentes para me ajudarem com esta questão: um dono de agência com mais de 20 anos de mercado, um designer estratégico e um professor universitário.

Os três responderam a mesma pergunta, “O que não pode faltar no currículo de um designer?

As respostas você confere abaixo.

PEDRO DAUDT
Sócio proprietário na empresa Daudt Design

No meu caso específico o currículo tem importância relativa. Eu vejo a formação, escolas e faculdade, que me dão a noção do nível de aprendizado do candidato e se ele tem uma formação mais robusta ou não. Acho legal ver os cursos que o candidato fez, pois demonstra o nível de interesse do candidato em se aperfeiçoar, se tem conhecimento de outras línguas (principalmente o inglês), mas para mim, o que tem mais peso não é tanto o currículo e sim o portfólio de trabalhos. Com ele avalio o potencial do candidato e vejo se me identifico com o design dele ou não. Um excelente portfólio abre portas.

Voltando ao currículo: um ponto importante é informação dos softwares que o candidato utiliza e o nível de conhecimento que cada um tem. Os softwares que mais contam para mim são os da Adobe (InDesign, Illustrator e Photoshop). É interessante ele ter um bom conhecimento – de intermediário para cima. Sem dúvida que o principal, para mim, é o nível de trabalhos que o candidato apresenta no seu portfólio.

Se eu tivesse que colocar percentual na decisão de escolha eu classificaria assim: 60% portfólio e 40% currículo, sendo que no currículo o peso grande vai para o conhecimento de software e o nível de colégios que o aluno cursou (bons colégios e boa universidade).

FELIPE PEROBELI
Designer estratégico

Ta aí uma pergunta bastante delicada, sabe por quê? Porque geralmente quando faço contratação de pessoas para trabalhar na criação eu não levo o currículo mais do que uma mera formalidade. Claro que muitas coisas podem ser definidas por ele e consigo selecionar pessoas através disso, mas a questão é que uso o currículo como uma ferramenta de “quem eu NÃO vou chamar”.

Geralmente os selecionados a NÃO fazerem parte são os que cometem mais erros bobos na hora de mandar o arquivo. É uma lógica parecida com a dos professores de colegial que dizem que todo mundo começa com 10 e a nota vai sendo extraída conforme os erros durante as atividades em sala de aula, entende?

Vamos lá, os erros que excluem pontos no currículo de um designer são os clássicos que eu, como academicista, encontro com certa frequência: Informações irrelevantes com destaque maior do que as informações importantes, como – pasmem – formação, cursos técnicos, certificados e softwares que sabe trabalhar; Experiências anteriores com nome e data ao invés de links para projetos realizados; Supervalorização da estética e pouca atenção na função do próprio currículo.

Dissecando cada um dos pontos que descrevi, de forma breve, para não ficar confuso:

  • Formação, cursos, certificados e softwares: Eu não me importo com essas coisas desde que a pessoa seja parte dos 3% que CRIAM conteúdo ao invés de reproduzir. Livros podem ser lidos, softwares aprendidos, etc. Mas a verdadeira base do conhecimento que é o interesse não fica visível em muitos currículos. A cada 100 currículos que recebo, em média 3 deles contém links para artigos. De 100, talvez uns 20 tenham uma curta descrição da pessoa. Isso é importantíssimo! Somos pessoas acima de tudo e demonstrar isso, para mim, é importante. Quero saber que irei trabalhar com outro ser humano e não um papagaio que vai repetir o que eu disser.
  • Experiências anteriores ao invés de projetos: Raramente me deparo com um currículo onde a pessoa fala que participou de projetos que realmente aconteceram e fizeram alguma diferença em alguma coisa (qualquer que seja). É muito comum receber currículos de pessoas com nomes de agências e empresas conhecidas e super legais, mas até aí eu não sei o que essa pessoa fez nessa empresa. Ela pode tanto não ter feito nada importante como ter sido um puta profissional com ideias mega inovadoras. Coisas que eu só saberia avaliar caso viesse um link dizendo “Olha, sabe AQUELA campanha? Eu ajudei a pensar e criar! Confere aqui”. O mesmo acontece para pessoas com nomes de pequenas empresas que ninguém conhece, eu não sei o que ela fez lá, pode ter sido algo sensacional que nenhum outro lugar fez antes, mas não ficou explícito, então isso não gera credibilidade alguma além de um “é, eu já trabalhei antes”.
  • Super valorização da estética: CV criativo. Sim, é ótimo receber um currículo bem trabalhado, mas as pessoas confundem currículo com peça de portfólio e acabam criando uma arte que desmorona toda a função do CV – ser prático e informativo. Algumas pessoas até conseguem conciliar isso bem e acabam arriscando um modelo ousado e dando super certo. Taí uma coisa que eu sinto falta, a ousadia! Quando vou abrir um PDF ou um link de CV de um designer, a única expectativa que tenho é de que as informações usem uma fonte legal, legível e que o conteúdo seja bem diagramado – no mínimo. Se eu fosse dar uma dica agora seria pedir para que apostem no “international typographic style”. Diagramação simples, forte com espaços em branco para criar uma boa hierarquia visual.

Resumidamente, eu não me apego tanto ao currículo porque as pessoas vão na onda do mercado e dificilmente irão criar algo inusitado que será bem visto por todas as empresas que eles mandarem. Por isso eu caço peculiaridades que me chamem a atenção para que, então, eu chame a pessoa para uma conversa. É nessa conversa que mora o perigo e descansa o paraíso. Farei piadinhas, pegadinhas e perguntas muito estranhas. A ideia é fazer a pessoa se soltar, se sentir livre e responder sem preocupação.

MARCO AURÉLIO VEIGA MARTINS
Professor universitário

Partindo do princípio que o designer irá atuar com o desenvolvimento de projetos como contratado em uma empresa, seu currículo deverá ser breve e enfocar a suas competências, habilidades e experiência profissional. Essa experiência, mesmo que reduzida, ou acadêmica, será comprovada através de um portfólio contendo imagens com qualidade que sintetizem os melhores e mais recentes projetos realizados, seus conceitos e diferenciais.

Caso o profissional esteja concorrendo à uma vaga específica, para a qual já conhece os requisitos e atividades que irá desempenhar, deverá destacar em seu currículo e portfólio sua experiência compatível com esse contexto.

Minha opinião

Meu primeiro conselho é que não se assuste com as divergências nas opiniões. É importante saber que cada contratante espera algo diferente, então esteja preparado para cada situação. Antes de ir para uma entrevista, visite o site da empresa e veja se seus valores e ideais condizem com os seus. Veja se eles servem como fonte de inspiração para você, e se não forem, não perca seu tempo.

Em relação ao assunto designer x software, posso dizer que 10 anos atrás (2005) esta já era uma discussão muito comum. Existia uma preocupação muito grande com o fato de que algumas pessoas poderiam aproveitar seu único e exclusivo conhecimento em softwares e se posicionarem como designers. Hoje essa é uma realidade, e sim, vemos muitas pessoas que dominam os softwares, se posicionam como designers e não fazem ideia do que é design. Mas isso também não significa que não existam pessoas que começam com o aprendizado em softwares e se tornam excelentes designers. Pelo mesmo motivo, não é possível afirmar que somente por ter uma “boa formação” em design, este designer fará um bom design.

Acredito que deve haver um equilíbrio. É importante sim estudar design e se manter atualizado, sempre. A faculdade escolhida importa? Na minha opinião não, contanto que haja interesse e boa vontade por parte do aluno e da faculdade, claro. É importante sim conhecer a ferramenta que você trabalha, pois a não ser que o empregador precise apenas de um gerador de ideias, o conhecimento em software será um filtro. Nem todas as empresas têm tempo para treinar seus funcionários ou esperar que eles aprendam o básico. Deveriam? Sim, mas nem todas têm e isso é uma realidade que não pode ser ignorada.

Também acho que o portfólio tem muito peso no momento da contratação, mas diria que o currículo tem mais peso no momento da triagem. Talvez, sem um bom currículo a pessoa nem abra seu portfólio. Normalmente estudantes em início de carreira não possuem um portfólio dos mais atrativos, simplesmente por não terem muito o que mostrar, então nessas horas o currículo faz toda diferença.

Apesar de não contratar, recebo muitos currículos de leitores pedindo ajuda, fato que me motivou a escrever este artigo. Recebi muitos currículos com erros básicos de português, de digitação, pontuação e falta de padronização. Alguns destes erros são nitidamente tentativas excessivas de “falar bonito”. Acabam escrevendo muito, falando pouco e embolando tudo. Não dê esse mole!

Para mim o que não pode faltar em um currículo é clareza. A função de um currículo é basicamente mostrar quem você é e quem você quer ser como profissional e pessoa. Como você fará isso é questão de escolha de cada um, e contanto que haja clareza, o resto se limita apenas a escolher as informações mais relevantes.

Mas enfim, tudo que você leu até aqui são apenas opiniões. Espero que este artigo te ajude a, pelo menos, se preparar para as tantas outras que você ouvirá durante sua trajetória.

Última dica: não vejo mal algum em anexar pequenas imagens do seu portfólio no final do seu currículo. Assim você já apresenta um pouco do seu trabalho sem que precisem clicar em um link.

Boa sorte!

Imagem da capa por Shutterstock.
Walter Mattos é um designer brasileiro apaixonado por criação de marcas e identidades visuais. Em seu blog e canal no Youtube compartilha suas experiências através de dicas, reflexões e tutoriais relacionados a design.

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26 comentários

  1. Fábio

    Olá! Não sei sinceramente como julgar esse artigo!
    Venho há um bom tempo com dificuldades para criar um simples portfólio, não é que eu não tenha feito, mas não deu em nada, terminei meu curso técnico de Comunicação Visual no começo de 2015, e estou desempregado desde a metade do curso, já tive inúmeros conselhos só que quase todos são confusos quando confrontamos uma opinião a outra, primeiro falam que tem que ter um diploma, depois tem que ter boa técnica e personalidade própria nos trabalhos, passa o tempo, nada mais vale, agora temos que ter curso superior e experiência em agência de 6 meses a 1 ano, basicamente tem que ser o Superman, saber fazer projetos complexos, web design, 3D e conhecimentos de arquitetura, para trabalhar atrás de um balcão atendendo clientes, para imprimir trabalhos escolares, fotografias, fazer pequenas manipulações com Photoshop… Acho que é problema, pessoa sem experiência na área chegar e criar um portfólio fantástico que agrade a todos os recrutadores, assim teria que haver um portfólio para cada emprego que eu tivesse que procurar. Existem muitas pessoas talentosas no Brasil, mas a cada porta fechada dessa forma um talento morre, eu só posso ver isso de uma forma negativa para o país, sei que devemos nos esforçar pra conquistar nosso espaço, mais só que esse pensamento já foi além do limite, hoje vem se descontando as dificuldades iniciais que uma geração, teve na nova geração que está só começando, parece até medo de perder a posição conquistada, não quero que me levem a mal , não quero insultar ninguém, pois isso é uma culpa mútua, já virou cultura aqui no Brasil em quase todas as áreas trabalhistas.
    Vocês sabem como cheguei aqui? eu simplesmente estava procurando um meio de conseguir um domínio .com ou .net gratuito devido a vários conselhos de não usar construtores de sites gratuitos como o wix … e outros, devido a não ser profissional, para vcs 10, 20, 30 reais podem parecer migalhas, mas para quem está desempregado a tanto tempo, se torno uma outra realidade, já estou tão saturado que até ter motivação é um problema, tentei entrar em uma empresa de design de games de um conhecido meu, comecei a fazer um modelo de arma sci fi que eles mesmos estavam desenvolvendo, ele foi me passando uns toques sobre a quantidade de polígonos que se devia trabalhar no modelo, foi tudo meio confuso por ter sido via web mais quando fui a sua casa ele me passou de uma forma mais simples, até ai blz nunca tinha feito esse tipo de modelo mesmo, daí ele me passou um modelo de porta sci fi, em 3 horas deixei ela quase pronta, bem pra mim era uma ótima evolução, só que ele quis que evoluísse mais daí eu vi que ele estava fazendo exatamente o que eu disse logo no começo, assim desisti e não por falta de interesse meu e sim, pelo interesse dele, o que aconteceu, a empresa dele está começando a falir devido à falta de profissionais aptos a concorrer com os estrangeiros, fazer games para esses consoles modernos tipo ps4 exige muito de uma empresa pelo nível financeiro envolvido.
    Dessas lições e muitas outras que discordo do modo de selecionar profissionais nos dias de hoje, temos muito a oferecer, mas sem o incentivo do mercado o próprio setor não evoluirá.
    Mais uma vez peço desculpas a quem se sentiu ofendido com meu chato depoimento…rsrsrs , essa só foi minha opinião sincera!
    Abraço a todos!

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    • Walter Mattos

      Olá Fábio, tudo bom?
      Não acho que é ofensa a ninguém emitir uma opinião. Entendo perfeitamente sua ótica e não acho que esteja errado. Que temos um problema forte na oferta de vagas e seleção de profissionais, isso é fato.
      Também é fato que cada pessoa terá uma dica diferente, uma experiência diferente para compartilhar. Também sei que não vivemos em um sistema onde a meritocracia reina. Mas ainda prefiro acreditar que o melhor caminho é o estudo e o treino. É o mínimo que podemos fazer para conseguir abrir portas.
      Simplificando e voltando à realidade do post, acredito que um bom CV (bem escrito, claro na mensagem, sem firula) e um bom portfólio são o mínimo. Não tem pra onde fugir. E “bom portfólio” cai na esfera da opinião. Quem acredita que não é possível ter um bom portfólio enquanto está iniciando se engana, o grande X da questão é quem irá avaliar este portfólio.
      Na dúvida, faça o seu melhor. Crie projetos fictícios, demonstre suas qualidades da melhor forma que você puder. O seu melhor é o mínimo que você pode fazer. Esteja ciente de que as quedas são normais e os desafios ocorrem o tempo todo. Não desanima.

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  2. Bianca Santiago

    Post bem esclarecedor! Parabéns! Com certeza vai ajudar eu e muitos outros que estão começando na área!
    Apenas gostaria de esclarecer uma dúvida, se no caso é bom eu acrescentar outra experiência que eu tenho no currículo, sendo que essa experiência não é relacionada a área de Design, ou no caso se seria melhor eu apenas deixar claro que não tenho experiência ainda na área? Acredito que não sou a única que possa ter essa dúvida, por isso gostaria de saber a sua opinião a respeito. Se puder me esclarecer essa dúvida ficarei muito agradecida! :)
    E meus parabéns também pelo site e pelo canal do youtube!

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    • Walter Mattos

      Olá Bianca,
      Acho que isso depende muito da função que pretende inserir. Às vezes ela não se relaciona diretamente com design mas pode ser considerada uma atividade complementar, ou interessante por qualquer outro motivo.
      Avalia isso. Veja se é algo que pode te beneficiar ou não.
      Abraço.

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  3. Ak

    E ai Walter, não sei se sou um generalista ou um especialista mas gostaria que me ajudasses com este assunto de ” retouching ” sei que não é sua praia mas gostaria que me indicasses alguns links…
    Um abraço e estou esperando o próximo post no teu canal, adorei o BLEND IF…

    ps. porquê que um dia desses não falas sobre como preparar uma apresentação (mockups) para um cliente gostaria ver como trabalhas neste aspecto.

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  4. Flávio Alves

    Muito bom. E melhor ainda ainda é saber que não precisamos ficar presos a uma ideia, um ponto de vista, e que podemos inovar. Parabéns e obrigado pelo artigo. Muito relevante!

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  5. Gabriel Marassato

    “Também acho que o portfólio tem muito peso no momento da contratação”, eu vejo essa questão como um caminho, e isso é bacana pois, não é o software ou hardware que define a forma que o designer busca solucionar seus problemas. E se persistimos nesta questão, veremos que cursos técnicos ou formações superiores, não definem esta forma também. São caminhos e alternativas que podem ser avaliadas, porém, o que sempre terá mais peso, é o trabalho em si, e é aí que se encaixa o portfólio do autor.

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  6. Lucas

    Estou começando a o conhecer agora, e já estou adorando todo seu conteúdo! Me interesso pela área e tudo o que você produz é um incentivo para mim! Obrigado!

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  7. João

    Curti muito o artigo. Estudo Design Gráfico, atuo como freelancer e ilustrei um livro infantil ano passado, mas está muito complicado conseguir “algo mais sólido” na minha experiência profissional.
    Então, dicas de portfólio e CV, acho que preciso bastante.
    Meu CV era em Word até agora… e tinha receio de fazer algo diferente nele, como usar cores. Mas tomei coragem após ler as opiniões deste post.
    Obrigado

    Responder
    • Walter Mattos

      Meu currículo também já foi em Word, João. Aos poucos fui criando um design mais personalizado no Indesign, mas ainda com as mesmas propriedades formais (fundo branco, texto preto e nada mais). Por fim eu enviava em PDF, mas acho que Word está de bom tamanho caso queira priorizar as informações.

      Um abraço.

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  8. Carlos

    Excelente artigo!
    Sou um “designer” recém-formado (lamentei muito não poder preencher o campo “seu website”, mas isso já está a caminho). Tive a experiência de passar por um estágio tão ruim, que tenho até certo receio de apresentar o que eu fiz para essa empresa, gostaria de começar “do zero” e ter no meu portfólio só projetos pessoais (tenho a impressão de estar aprendendo mais sozinho do que na época do estágio/faculdade). Ler o que o professor Marco Aurélio Veiga Martins escreveu (mesmo sendo a menor resposta) foi confortante/motivador.
    Enfim, não tenho nada a acrescentar, só gostaria de agradecer a postagem do artigo (essa leitura veio na hora certa).

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    • Walter Mattos

      Muito obrigado, Carlos. Tenho certeza que em breve este campo será preenchido com ótimos trabalhos. Que bom que gostou do comentário do Marco e que ele lhe foi útil. Eu também ouvi muito esse cara, foi meu professor.
      Um abraço.

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  9. Iure Figueira

    Vou passar a elogiar as suas publicações em outros idiomas, mas por enquanto vou continuar com o: “Excelente rapaz, fantástico artigo!”

    Excelente rapaz, fantástico artigo! Mas eis uma questão para ser levantada. Qual seria a maneira mais ética de expor o seu conhecimento sobre determinada área ou ferramenta/software?

    Pergunto pois em muitos dos currículos que vi (e escrevi) sempre havia aquele

    Photoshop ☻ ☻ ☻ ☺ ☺
    Illustrator ☻ ☻ ☻ ☻ ☺
    Illustrator ☻ ☻ ☻ ☻ ☺
    Office ☻ ☻ ☻ ☻ ☻

    Sempre me pergunto se existe algum parâmetro além do bom senso pra sua autoavaliação e se é possível descartar esse tipo de informação e adotar outra maneira, pois entendo que qualquer apontamento sobre aquilo que sabe naquele momento deveria ser feito por quem está olhando o seu currículo. Mas aí entro na questão de funcionalidade, é necessário essa apresentação de conhecimento pra facilitar o leitor do currículo? O portfólio não teria que dar conta?

    Grande abraço! :)

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    • Walter Mattos

      Muito obrigado, Iure! ☻

      Acho que aí entramos na questão de escolher as informações mais relevantes de acordo com sua experiência e expectativas do entrevistador.

      Quando temos pouco para mostrar ou não temos portfólio, é importante pelo menos mencionar que existe um conhecimento sobre os softwares usados no mercado. Esse conhecimento pode vir da prática ou por cursos, que podem ser mencionados, inclusive.

      Quando o candidato tem projetos que demonstrem esse conhecimento talvez não seja necessária uma menção detalhada no currículo.

      Acho que a necessidade é relativa, não obrigatória.

      Um abraço!

      Responder
  10. Pedro Monteiro

    Olá Walter, mais uma vez obrigado pelo conteúdo, em outras ocasiões suas dicas me ajudaram a conseguir uma oportunidade de estagio, foi quando eu estava projetando meu currículo e lembrei das dicas de que um C.V deve ter clareza e de preferência fundo branco. Com isso em mente, consegui faze um currículo com um design bastante interessante e fui chamado para todas as empresas que enviei, claro queoutras circustâncias também foram decisivas para isso e uma dica que aprendi com essa experiência que tive, foi que como estudante não podia realizar algo muito interessante com os trabalhos passados em sala de aula, pois ainda não tinha os conhecimentos necessários para criar algo a ser atrativo para o mercado, mas conforme fui estudando peguei esses trabalhos que fiz e tornei algo mais profissional refazendo do zero todas as peças para realmente valer a pena colocar no Behance. Talvez essa seja uma dica muito interessante não só estudante como eu mas designers com mais experiência.

    Responder
  11. Julio Carneiro

    Excelente artigo, principalmente pra quem está “chegando” no mercado agora. Já vi – e ouvi – absurdos em currículos (inclusive nos meus).
    Uma coisa, no entanto, no texto, me chamou bastante atenção: “Antes de ir para uma entrevista, visite o site da empresa e veja se seus valores e ideais condizem com os seus. Veja se eles servem como fonte de inspiração para você, e se não forem, não perca seu tempo”.
    Às vezes idealizamos algo para nossa carreira projetando isso em uma empresa “X” levando em consideração somente o nome e/ou grife que ela representa, e não é por aí. Se não rolar identificação, pode ser a melhor empresa, com o melhor profissional, mas não vai dar certo. E aí cabe primeiro se perguntar “para onde mandar seu currículo” e depois “o que colocar no seu currículo”.
    Peço permissão para alongar só um pouquinho o post para falar de uma experiência pessoal que pode fazer diferença pra quem está começando. Tive a oportunidade de trabalhar em uma das maiores agências – no meu conceito – do meu estado. Realmente meu conceito estava certo… eu só não sabia – por estar desatualizado sobre o mercado – que os “tempos áureos” da mesma haviam passado. De repente eu estava dentro de uma agência com inúmeros problemas – principalmente financeiros – e que só tinha UM cliente de grande porte – embora já tivesse atendido os maiores nomes do estado -, que ficara mais por amizade do que qualquer outra coisa. Passei três meses. Algum tempo depois enviei portfólio e currículo para outra agência, onde mencionei – desgraçadamente – a experiência anterior, pensando que iam me contratar no ato, pois eu tinha sido da agência “X”… qual não foi minha surpresa quando soube que um dos motivos de não me contratarem foi exatamente esse. Justificaram que eu havia conseguido entrar, mas só passara três meses. Em outras palavras: “Se não serve pra eles, não serve para nós”.
    Acredito que a situação aqui colocada serve para qualquer segmento, não só o design. E sobre erros de português, infelizmente são cada vez mais comuns. Entendo que são oriundos, acima de tudo, da falta do hábito da leitura. Quem não lê, não pode escrever.
    Sobre links, cuidado com eles. Por um simples motivo: eles criam expectativa. Quando você cria uma expectativa, tem que arcar com ela. Se eu clico em um link e ele está quebrado, ou me leva para mais texto, ou para um trabalho de pouca representatividade, já sinto meu tempo desperdiçado, fecho o currículo – ou site, vale pra tudo – e não olho mais. Se estiver de muitíssimo bom humor, chego a clicar em um segundo para “tirar a teima”.
    Enfim, é isso… perdão pelo comentário longo e parabéns a Walter, Pedro, Marco Aurélio e Felipe pelo excelente artigo. Extraio do mesmo como dica de ouro, como já coloquei, a identificação com a empresa.

    Responder
    • Walter Mattos

      Já que você me citou, o cito de volta: “E aí cabe primeiro se perguntar “para onde mandar seu currículo” e depois “o que colocar no seu currículo”.”

      Muitos iniciantes temem esse caminho por acharem que isso significa encurtar o currículo, quando na verdade você está apenas acentuando informações que podem chamar a atenção do seu entrevistador (ou os interesses daquela empresa). É um trabalho extra mas acho que ajuda a diminuir a margem de erro.

      Muito obrigado pela colaboração de sempre, Júlio. Já é praticamente um “guest”.

      Um abraço!

      Responder
  12. Héverton Bortolotti

    Muito boa a discussão. Acho que tenho uma boa base, muito parecida com as citadas acima.

    Sou acadêmico (terminando a graduação), já busquei um lugar em uma agência da minha cidade e agora sou sócio da minha própria, o motivo? Bom, sentia falta de algo inovador, não apenas nos trabalhos, mas inovador no sentido de que todos que possuem contato com a minha agência sintam-se bem, sintam que é algo diferente, motivador, especial.

    Já fui descartado por não possuir portfólio, e sim, ele é importante, mas para um acadêmico no início da graduação isso é uma tarefa árdua quando o emprego é pra ontem. Acho que os entrevistadores devem atentar-se e terem o ‘feeling’ de reconhecer um talento em ascensão, e é assim que eu trabalho. Uma vez li uma frase e nunca mais esqueci: ‘Você sempre deve estar contratando’; afinal, sempre terá espaço para novos talentos.

    Então é isso, currículo é importante, mas é preciso reconhecer um talento, afinal, podemos ter ótimos executores, mas péssimos líderes, gestores e até mesmo colegas.

    Contrate pessoas melhores que você.

    Responder
    • Walter Mattos

      Excelente, Heverton. O “feeling” ao que você se refere é essencial. Isso vale também para o entrevistado, mas isso é tema para um novo artigo.

      “Contrate pessoas melhores que você”… isso infelizmente é algo difícil de se ver.

      Um abraço.

      Responder